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Consumidores “gasosos”

Em 1859, o famoso naturalista inglês Charles Darwin lançou as bases da teoria sobre a seleção natural, que se contrapunha aos conceitos vigentes da “origem divina do homem” (Adão e Eva). Nesta obra, que na sexta edição, em 1872, recebeu o nome de “A Origem das Espécies”, a citação “Não é a espécie mais forte que sobrevive, tampouco a mais inteligente. É a mais adaptável às mudanças” é, a meu ver, mais atual do que nunca.

O constante barateamento das novas tecnologias para comunicação com consumidores, em especial aquelas disponíveis para transmitir informações, para nos manter conectados 24 horas por dia, resulta no surgimento de inúmeras mídias e das redes sociais.

Nos Estados Unidos, as três maiores redes de TV aberta (lá existem mais de 200 canais a cabo), ABC, CBS e NBC, têm, juntas, 10 milhões de expectadores únicos/mês. Já o MySpace, o YouTube e o Facebook recebem mais de 250 milhões de visitantes únicos/mês. E veja que estes sites não existiam há seis anos! No Brasil, o acesso às redes sociais, por telefones móveis, aumentou de 5,7%, em 2009, para 12%, neste ano. Um crescimento de 111% em quatro meses!

Volatilidade
O gás é um dos estados da matéria. Não tem forma ou volume definidos. Consiste em uma coleção de partículas cujos movimentos são aleatórios. Neste contexto, entendo que os consumidores comportam-se hoje como se estivessem em “estado gasoso”.

São partículas de nossa sociedade que prezam suas individualidades e as expressam, por meio de vários meios, mas que podem rapidamente se unir, para atuarem em grupos sobre as causas que lhes sejam relevantes. Crescentemente voláteis, podem mudar rapidamente suas atitudes baseadas em fontes de informação totalmente dispersas.

Neste cenário, as marcas que quiserem permanecer em seus mercados têm que ser muito flexíveis e rápidas, para entender os novos processos de comunicação com seus públicos e para se adaptarem continuamente a canais em acelerada mutação.

Para se comunicar de forma eficiente, o novo desafio das marcas será o de aprender a trabalhar cada possível ponto de contato, cada mídia, com sua linguagem própria, para se conectar, de forma relevante, com consumidores cada vez mais “gasosos”.

Gilberto Strunck (Sócio-Diretor da DIA Comunicação. Autor de vários livros sobre design, é Professor da UFRJ, UniversidadeFederal do Rio de Janeiro, Conselheiro do POPAI Brasil e membro do Bord Internacional desta entidade.

Fonte: Mundo do Marketing (www.mundodomarketing.com.br)

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